5.4.07

O nome e as “coisas”

No outro dia, numa conversa de gajas, uma das presentes sai-se com qualquer coisa blá blá “e a minha pachachinha”. Não ouvi mais. Sou gráfica. Tique de profissão. Visualizei na hora. Mulher, feita, com filhos, corpo desenhado, nua, com um pipi quase careca, imberbe, aqueles das ilustrações infantis. Deu-me voltas ao estômago. Pachachinha, não. Por favor. Ok. Pachacha, também não. É um bocado alarve. Demasiados às. Cona, pior. Buçal. Então que raio de nome havemos nós de dar à... à? Pipi é para as criancinhas. Pachachinha e palequinha, também. Paleca é zoológico. Cona... conas têm as que queremos rebaixar. Então, que raio? Vagina, d’us me livre. Não há palavra mais pornográfica. Vagina. Vá-gi-na é a da Gina. Já bastam os médicos mais a vagina e as criancinhas que saem por ela. Não. A “perseguida” como dizem as brasileiras. Brega, não? Xereca, Perereca? Demasiadas rãs, não vos parece? Coaxa, coaxa... a pachacha. Xoxota, Capô-de-fusca, Xibica. Já agora Chewbacca, não? Buceta? Us, também não dá, dão nome de gruta à coisa. Eufemismos, pior: borboleta, borboleta negra, passarinha, piriquita, rata, ratinha, nêspera, rosa... Rosa é que nunca. Nunca. Numa de gastronomia: amêijoa, berbigão, ostra, muito pior. Demasiado viscoso. Muito visual e feeeio. Coisa, coisinha. Nem pensar. Demasiado displicente. Lá em baixo, a coisa. Safa. Coisinha têm as coisas, que são tão coisas que não conseguimos nomeá-las. A coisa, aquela coisinha sem graça nenhuma, a lesma? Com rastro. Difícil, não? Nem me lembro como digo. Acho mesmo que falo “dela” sem a pronunciar. Coitada. Não damos nome à coisa. Lembrei-me do dicionário de sinónimos: bainha; vaso; pl. ervilhas. Eu em ponto de interrogação. Bainha? De imediato, a imagem do parto. Afinal o senhor doutor não estava a fazer uma manta de bilros, estava a fazer-me a bainha. Ou seja, a encurtar-me a saia para ficar mais compostinha. Socorro. Vaso. Vaso de plantas, flores. Plantar. Não. Lembra-me pôr flores na campa. Não a quero morta. Ervilha nem dá. Ou dá desta maneira: “larga-me a vagem", ou lá o que é. Vagem, vá-gi-na. Voltámos. A sério, não me lembro. Na intimidade todas nós sabemos. Mas, no social? Como falamos “dela”. Não lhe damos nome? Passamos por cima. Tratamo-la por você? Sem dizer você, claro. Caraças, está difícil. Mas eu quero um nome. Quero dar-lhe importância, respeito, prestar-lhe reverência. Vassalagem, até. Merece um nome. Merece ser nomeada. As “coisas” só existem quando têm um nome. Cremilde, Pancrácia, Margarida... nomes próprios pode dar asneira, enganos. Maçaroca, Tamanduá, Titchicaca, Fubá. E apenas pela sonoridade? Também não dá. Lá teremos que explicar o que é mandioca, e pior, porquê. Bolas. É muito mais fácil para eles. Pila. Pila é muito satisfatório. Uma palavra curtinha, sonora, simpática. Uma palavra macha. (lol) Alguma erectilidade. Personalidade. Perfeitamente funcional. Facilmente dita in and out doors. No Brasil, discordam, é uma "palavra feminina. Não fica bem ao pau.” E pica, que vocês também usam, é uma palavra quê? Caraças. Estou a desfibrilar. Voltarei ao tema.

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5 Comments:

At 5:45 da tarde, Blogger 1de30 said...

Umas depravadas na cama e umas púdicas no resto é o que somos!
[R]

 
At 8:39 da tarde, Anonymous Anónimo said...

uso o básico: Pita e Lolita dependendo dos lugares e das gentes (morena natural)

 
At 12:52 da manhã, Blogger 1de30 said...

Pussy
R.

 
At 1:39 da manhã, Blogger Calvin said...

Se nós temos uma pila, é justo que vocês tenham um pilo. :o)

 
At 6:58 da tarde, Blogger 1de30 said...

lol Pilo! Adoro! Sou fã do Calvin!
[R]

 

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