Adolescentes III

Cada vez gosto mais de crianças até ao 6 anos.
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Casa da sogra
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Isto de ter filhos com 11 anos de diferença tem vantagens e desvantagens como tudo na vida. Até agora só tinha dado pelas vantagens:
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Cheguei. Cheia de saudades dos meus filhos, do meu amor, das minhas meninas, da minha casa, de assistir ao Euro com portugueses, do sol, da piscina do HP, da praia do G, do meu jipe, da minha terra. Adoro viajar e adoro chegar a casa!
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hhhhhhhh– Que tudo se foda,
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Pois é, parece que vamos todas passear. Não para o mesmo sítio, o que é pena, mas pelo menos já vai dar para “zanuviar”. As loiras vão para um lado, a ruiva para outro. Loiras ao descanso – que também é preciso – e Ruiva ao trabalho (que remédio). Ou como se diz em chinês: L: Esquerda; R: tem razão.
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Hoje, tudo me parece incrivelmente simpático... até há calor. Não, não vou explicar porquê.
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Fila. Fila não, bicha tremenda. Apenas uma faixa em plena auto-estrada. Vai ser longa a viagem. Carrega no play. Aquela voz, com o volume no máximo, invade o carro e rebenta-lhe o coração. As lágrimas caiem-lhe, imparáveis. Indomáveis. Não é possível que o que assistira possa ser verdade. «Decadência humana, declínio, ferida aberta, frágil, impotência, exploração da desgraça e sofrimento alheio, voyerismo, maldade», palavras que lhe assolam os pensamentos. Não podia ser verdade. Não acreditava. Um filme. Só pode ter sido um filme. E como foi a tia ali parar.
Apetecia-lhe pedir-lhe desculpa, desculpa. Desculpa por ter participado naquilo, por a ter ido ver, pelos risos alarves que presenciou mais as caganças e regozijo que há num «eu avisei, eu sabia que ia ser assim.». E pegá-la ao colo. Dar-lhe mimos e dizer-lhe «está tudo bem, está tudo bem». Salvá-la. Alguém tem que a salvar. Não pode ser... aquilo é tudo encenado. Tudo ensaiado, tudo pensado. Começando pelo atraso, os enrolados pedidos de desculpa, a voz rouca e a primeira música: Addicted. O copo na mão, que toda gente declara ser vinho enquanto a tia via um suco amarelo, com limão lá dentro. A ligadura no pulso. O corte no braço direito. As nódoas negras no pescoço. O lenço na mão. «Não me lixem.» Não há caracterização? Pintam-lhe os olhos demasiado negros e não lhe escondem as feridas? «Exposição da dor, mostra, montra.» Lágrimas que borram a pintura e lhe mancham a cara, mais. O microfone que não consegue ajustar, vejam bem a ligadura. O cone de prata no decote em que ela não pára de mexer. Ela naquele vestido, infantil, menina. O coração no cabelo com o nome do marido. A figura de um ser humano em sofrimento a cair dos saltos altos. O palco às escuras entre músicas. As conversinhas com a banda. Os ajudantes de palco que “reabastecem”. Tudo alusões a mais um cheiro de coca. Figuras tristes e demasiado ingénuas. Não é para isso que servem os agentes, a organização do festival? Alguém que decida por ela se pode ou não actuar? «Não quero acreditar. Não quero acreditar que estas noventas mil pessoas se divertem. Que era com isto que contavam. Que riem. Que não quisessem fugir. Não pode ser.» Isto é tudo fake. Só pode ser. E a única coisa que pode servir de consolo. A rouquidão até desaparece. A música até acompanha os picos de adrenalina e depressão. Só pode ser encenado. Até os ecrãs gigantes em dessincronização foram pensados. E Valerie, a última canção, com a imagem de um quase desmaio para os braços de alguém no backstage. Não, não há encores. O cachet é o mesmo. É a sua vingança. Fim do “espectáculo”. «Alívio.» Ainda pensou que ela voltaria, que diria um monte de merda e que despejasse o fel. «Era isto que queriam ver, satisfeitos?». Mas ela não voltou. Não houve final feliz e moralista. «Não me venham com Kurt Cobain, Jim Morrison, Janis Joplin, Elis Regina ou Cazuza. Não me interessa. Eu não estive lá. Não vi. Não participei.»
A fila entra na área de serviço. Há uma Operação Stop. Uma grande “operação”para apanhar gente de Cascais que foi ao Rock in Rio. A tia limpa as lágrimas. Desliga a música, faz o seu ar mais simpático, mais calmo, mais feliz. Uma loira sozinha no carro, às quatro e meia da manhã, cansada e com vontade de chegar a casa. O polícia encosta-se à sua janela. Ela sorriu, encarando-o. «Siga, boa-noite, desculpe o incómodo.»
«É isso, já passa, não foi nada. Este incómodo vai passar. E esta dor. Este mal-estar. Este sujo de ter participado numa história que não queria ver, fazer parte. E muito menos preparada. Se soubesse, teria ficado em casa, no quentinho, no limpinho, longe do mundo. Para onde vou agora tomar banho. Irónico chamar-se o Palco do Mundo, o sítio onde actuou. Está tudo bem, tudo bem. Esta sensação há-de passar. Também é do desmame da fluoxetina. Esquece. Viste uma lição muito bem planeada. Orquestrada. Um dia saber-se-á. Está tudo bem, tudo bem.»
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A amiga lá estava, soterrada em seguranças. Tiveram que gritar e acenar com o bilhete para que uma segurança o viesse buscar. As três juntas at last. «A partir de agora, desligam-se os telemóveis e acabam-se as combinações.» Agora é que começa o “festival” como se diz na tenda vip. Concerto é no relvado. Espectáculo é só depois. Magotes de pessoas saem do recinto, cheios de filhos, a próxima actuante não é para mais novos. Nova entrada na tenda vip. Mostrar outra vez a pulseira a sete guardas. Comer, comer. A larica apertava. Cabeças voltavam-se para ela. Cumprimentavam-na. «Tá boa?» «Obrigadíssima», optou por responder, sempre a andar. Depois lembrou-se, pintara o cabelo de loiro. Muito loiro. Loiro-holofote. Era por isso que a confundiam. «A Karen Jardel é mesmo gira, a sério. E as pernas da Malu Madder, alta! Cabra. E o vestido daquela. E o cu da outra? E as tias e a moda Amy, modernas!» Não sei se de propósito, uma senhora muito sonora entorna pelas costas da tia meio copo de cerveja. «Não faz mal. Acontece», grasna a tia. «E quem avisa aquela tia que o tagliatelle que leva ali em prato cheio, é só acompanhamento... cozidinho com água e sal?»
Ninguém liga às gargalhadas demasiado altas da tia. Ainda bem. Mas havia ali algum desconforto. O chão parecia trepidar. E o barulho era constante. Parecia-lhe estar dentro de uma máquina de lavar. Comeram à pressa. E beberam, não era permitido sair com copos ou garrafas do recinto vip. «Está certo, forretas.» O nervosinho começava a adensar-se. Lá para fora, que não queriam perder o início. Andaram quilómetros para escolher o melhor lugar, optando pelo primeiro, junto a um enorme ecrã, entre um caminho e o relvado em abrupto declive. Estavam bem dispostas. «Ó rapaz, não te sentes na lama, nem sabes o trabalhão que essa nódoa dá a lavar.» Muitos casais, muitos grupinhos animados, ora de meninas ora de rapazes. Pessoas da idade da tia e miúdos, só isso. Cheiro de erva, só o que saía do baseadinho das três. Os “festivais” já não “cheiram” ao mesmo.
Três teenagers em gritinhos pedem-lhe um tampão. «Não tenho, mas no meio de noventa mil pessoas deves arranjar.» E depois para as duas amigas: «Oiçam lá... Estaremos com ar de quê? Tias muita giras com um ar super descontraído ou somos as únicas neste perímetro com ar de quem tem tampões na mala?»
Começa por fim Mrs. Amy Winehouse, depois de quarenta minutos de espera, onde só se ouvia «ela não vem». Encaram o telão.
Quem olhasse para a tia, não lhe lia a alma... em cacos. A sensação que tinha era que estava a ver um filme, daqueles muito previsíveis e de baixo orçamento. Ou uma novela da TVI... daquelas muito más, que se sabe sempre o que vem a seguir. Tentou alhear-se. Voltou as costas ao ecrã. Não dava resultado. As pessoas falam demais. As pessoas vão aos concertos para falar. A cena continuava a desencadear-se com todos os chavões. Meteu conversa com as duas, tentava abstrair-se. Falaram de outras coisas, a disfarçar. «Acabou por fim», pensou a tia enquanto se dirigiam para saída número três. A terceira não queria mais ficar.
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A tia em dondoca em casa e em contagem decrescente. Tinha pensado pôr o disco da Amy Winehouse aos berros, em preparação para logo à noite. Não deu tempo. Nem jeito. Um sobrinho com febre, uma visita matinal, a filha que traz coleguinhas da escola para almoçar, a empregada que quer conversar. Interrupções. Lá para às seis, consegue finalmente sair de casa. Vai apanhar a amiga às avenidas novas. A mais descomprometida e divertida para estas coisas. A fila na Duarte Pacheco é imensa. Insiste. Resolve ir pelo túnel. Pior. Tem tempo nessa altura. Põe o cd aos berros. Ainda bem que está sozinha. Fuma vários cigarros, dança. Está bem disposta. «À catarse.» Solta-se. Quer ir dançar, pular, divertir-se.
Apanha a amiga com uma hora e meia de atraso. Lisboa está o caos. Dirigem-se ao estádio de Alvalade onde vão deixar o carro e apanhar o shuttle para o Rock in Rio – afinal, são vips. O cd pára de tocar. Há combinações a fazer – bilhetes a mais. O telemóvel da tia fica sem bateria: «óptimo», pensa. Depois de várias transgressões lá conseguem entrar para o tal do Piso Dois do parque de estacionamento. Ainda no carro, trocam a indumentária. O blazer pelo blusão alcochoado, não vá fazer frio. E a mala pela maniconera de apertar à cintura. Prática. Num dos bolsos o bilhete de identidade e três maços de tabaco. A tia é previdente. Noutro, o talão do parque e as chaves do carro. A tia é arrumada. Noutro ainda, um maço de cigarros vazio, com três baseadinhos, já enrolados. Feitos! Uma tia é uma tia. Ainda havia outro compartimento, para o dinheiro e o ingresso, onde arrumou apenas o bilhete. A tia é esquecida.
No átrio, havia fila para o transporte mas ainda deu para um cafezinho e mais combinações. Viram caras da televisão, o presidente do Sporting, famílias com filhos, muitos blusões. A fila foi despachada para o grande autocarro. À tia e amiga coube o tal do shuttle de sete lugares. O ambiente era animado. O condutor, um miúdo de dezanove ou vinte anos, giro, estava triste – não iria ver os concertos. Tia e amiga tentaram consolá-lo. Pela janela viam-se magotes de pessoas, filas e filas. Pessoas que não tinham caminho aberto, estrada desimpedida, cordão de segurança. «Festa do Avante», pensou, «também já andei muito». À chegada despedem-se do rapaz... «foge, vem ao concerto, larga os vips num baldio.»
Entrada fácil, mais uma vez sem filas, encontrões, esperas. Gente, muita gente. Mas andava-se bem. Um enorme relvado em declive, com a foz no palco, e a constatação de que do palco e actuantes apenas se veriam o que nos servissem os enormes ecrãs, uns seis, ou mais – a tia não contou. Desceram em direcção ao maralhal. Queriam ver mais de perto a Ivete que já pulava. Pessoas, pessoas e pessoas. Jovens, crianças, cotas. Muitas famílias. Lá encontraram um lugar, menos recatado e sem crianças para acender o baseadinho. Ainda pularam, pouco. A amiga detesta música brasileira e havia que ir buscar o tal do ingresso a mais lá dentro à tenda VIP.
Tenda que vira desde que entrara. Um zepelin adormecido. Branco, enorme. Muito longe do palco. A entrada foi difícil. Pediram-lhe que esperassem. Havia gente a mais. Lá conseguiram entrar, onde tiveram que mostrar o bilhete a sete seguranças diferentes. Depois havia um corredor enorme, com focos de luz vermelha. Talvez indecente. Elas riam. Depois ataram-lhes uma pulseira ao pulso. Dura, verde, com enormes letras brancas VIP. O barracão era de facto enorme e com dois pisos. Em baixo filas para o jantar, para as bebidas e as sobremesas. Em cima, e de frente para enorme varanda, pufs brancos, enormes, serviam de descanso. Pornográfico, pensa a tia. Da varanda nada se via, apenas cabeças, estridentes e muito loiras. Do palco, nadinha. «Aqui não fico nem morta», pensou olhando o recinto à procura do portador do bilhete. A sede começava a apertar. Lá o encontraram, coitado, no meio do piso de baixo, a fazer de relações públicas. «Por favor, não me apresentes ninguém, não estou com “cabeça”», avisou antes de lhe dar um beijo e agradecer o bilhete a mais. Desculpou-se, tinha que ir ao portão três buscar a terceira amiga. «Até já.» Lá fora, ar... Gente aos pulos. Ivete gritava: «Portugal no coração, amigos, amizade, amo vocês, país irmão...» «Foda-se», escapou-lhe, «não há paciência.» As tias também dizem asneiras.
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Na Natura
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